Você consome marcas que respeitam os seus valores?

 Você consome marcas que respeitam os seus valores?

Foto: Freepik

Embora boa parte das pessoas defendam temas sustentáveis e humanos, a maioria não sabe identificar se uma empresa realmente é consciente. 

Com tantas opções para escolher, consumir nunca foi tão fácil. E a internet só simplificou as coisas. Hoje em dia, com apenas um clique, é possível adquirir qualquer coisa de qualquer lugar do mundo.
Mas tanta facilidade também pode ser perigoso.  Não estou falando só da ameaça de cair em golpes ou de adquirir produtos de má qualidade, mas também da falta de consumo consciente.
Por isso, você já parou para pensar se está utilizando marcas que respeitam os seus valores?

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As pessoas preferem marcas posicionadas

Atualmente, as marcas já estão cansadas de saber que precisam estabelecer valores. O que não é ruim, pois eles são úteis para guiar a empresa sobre o que ela acredita e defende.
De acordo com um estudo publicado na revista Exame, 83%  dos brasileiros preferem marcas alinhadas aos seus ideais, além de dispensar aquelas que preferem se manter neutras.
87% ainda afirmaram desejar que as empresas sejam mais transparentes sobre a origem de seus produtos, as condições de trabalho de seus funcionários e a questão de testes em animais.

Quais são os seus valores?

Pare um pouco e reflita: o que você defende? Talvez sejam valores universais, como não concordar com trabalhos análogos à escravidão. Ainda assim, os números de trabalhadores nesta situação só crescem.
De acordo com o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Sinait), o número de denúncias duplicou e é o maior dos últimos anos. Só no ano passado, foram mais de 1.900 denúncias.
Sendo assim, mais que ter valores, precisamos defendê-los. E uma forma de se fazer isso, é utilizar marcas que realmente preservam os seus ideais.

Como saber se uma marca é consciente

Muitos negócios hoje em dia não demonstram em atitudes os valores que dizem possuir.  Há até um nome para isso: Greenwashing.
Ao pé da letra, o termo significa “lavagem verde” ,ou “pintado de verde”. Eles são praticados pelo governo,  por indústrias, empresas e até Organizações não Governamentais (ONGs) para atrair clientes e induzi-los ao erro.
De acordo com  uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) realizada em 2018, de 500 embalagens de produtos de limpeza, higiene e utilidade doméstica analisadas, 48% continham informações falsas sobre responsabilidade ambiental.
Por isso, entenda quais são as principais características para não cair no falso discurso sustentável com algumas questões:

Como a empresa desenvolve os seus produtos?

Esse é um ponto chave para entender se um negócio é um Greenwashing ou não. Por mais que ele tenha um discurso bonito, procure saber quais são os ingredientes que a empresa usa, se são naturais ou não.
Também se ela se importa com os ideais dos seus fornecedores e se há iniciativas para compensar a extração de recursos naturais. Já viu aquelas caixas de palito de dente escrito “feito com madeira reflorestada”?

A sustentabilidade está em todos os produtos?

A indústria da moda, por exemplo, é uma das mais poluentes. Por conta disso, há muitas marcas investem em “coleções sustentáveis”, que envolvem algodão ecológico ou outras matérias-primas menos danosas.
Contudo, as demais peças da empresa continuam sendo desenvolvidas através de processos prejudiciais à natureza.
Ou então, investem em embalagens com soluções ecológicas, mas os seus produtos continuam sendo nocivos para o meio ambiente e vice-versa.

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A empresa testa os produtos em animais?

O tema voltou a ganhar repercussão na mídia e nas redes sociais depois da campanha Salve o Raph, uma animação em forma de stop-motion, que foi utilizada para conscientizar a população sobre os testes em animais.
Mesmo assim, muitas empresas (e grandes indústrias de cosméticos), se mantiveram caladas e continuaram a fazer testagem em animais.
Contudo, dependendo do segmento do produto, é possível o desenvolvimento de testes in vitro. A técnica nada mais é do que o cultivo de células, tecidos e órgãos fora do organismo. Dessa forma, nenhum animal é ferido no processo de testagem.

Como a empresa descarta os produtos?

Pode ser que a empresa tenha um discurso lindo sobre sustentabilidade, mas não realiza um descarte correto ou não se importa com o lixo produzido.
Dessa forma, é preciso prestar atenção se a marca possui alguma iniciativa que utilize menos recursos naturais, se faz coleta seletiva na produção ou promove soluções renováveis.
Como por exemplo, a troca de matéria prima para insumos menos danosos, embalagens retornáveis, com refil ou até compostáveis.

A empresa está na “Lista Suja”?

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos possui uma “Lista Suja”, um dos principais instrumentos de políticas públicas contra o trabalho escravo.
Nela, é possível consultar se uma empresa já foi denunciada por suas condições de trabalho análogas à escravidão.
Além da lista, há outras iniciativas que também denunciam empregadores que não respeitam os funcionários.

Quais são os sete sinais básicos?

Fora isso, o  próprio  Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor definiu sete sinais que ajudam a identificar se uma marca realmente condiz com o que fala:

  1. Sem provas. Várias empresas vendem produtos caracterizados como “ambientalmente corretos”, mas por muitas vezes, não há comprovação científica de que isso seja verdade. Como por exemplo, marcas veganas sem certificação.
  2. Termos vagos. Se um negócio fala muito sobre “sustentabilidade”, “100% natural” ou “amigo do meio ambiente”, mas não dá explicações práticas sobre o termo, desconfie. O mercúrio, por exemplo, é uma substância natural, mas não quer dizer que seja saudável.
  3. Irrelevância. Há marcas que até colocam informações verídicas no rótulo, mas que podem ser irrelevantes. Como por exemplo, “não contém CFC”. Contudo, o chamado clorofluocarbonos é proibido no Brasil desde 1988.
  4. Troca oculta. Isso acontece quando a empresa enfatiza um fator sustentável, mas deixa outras questões sérias por baixo dos panos. Como a utilização de descartáveis para não precisar gastar água para lavá-los, quando o uso do plástico continua danoso à natureza.
  5. Embalagens enganosas. Não só nas informações específicas, é importante se atentar ao produto como um todo. Há empresas que utilizam imagens que parecem selos ou sugestões que induzem ao erro. Outro exemplo prático, são embalagens com uma lâmpada ou uma folha dentro de um certificado que por muitas vezes não é oficial ou confiável.
  6. Menor dos males. Outro ponto para se ter atenção, são empresas que possuem um discurso de “menor impacto ambiental”, mas apenas para distrair o consumidor. Como marcas que dizem produzir menos plástico, mas continuam sem resolver o problema da substância nos lixões.
  7. Rótulos falsos. Ao invés de desenvolver alguma desculpa, alguns negócios simplesmente mentem nos rótulos mesmo.  Um exemplo é afirmar falsamente que um produto possui descarte seletivo, quando a empresa não possui controle sobre o mesmo.

E então, qual a sua desculpa para continuar a consumir de forma irresponsável?

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